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Que que tem o BBB?

Marina Cardozo
Estagiária de Jornalismo

Acho hipócrita dizer que quem gosta de BBB é idiota. Eu, até pouco tempo atrás, era uma dessas pessoas e, ainda hoje, sou um pouco. Mas guardo minhas opiniões para mim, não as fico espalhando para os quatro cantos do mundo. Vai que alguém de quem eu gosto vê BBB. E gosta. Eu não ia querer fazer essa pessoa se sentir idiota por gostar de BBB.

Uma vez, um professor meu disse que a gente não deve ter vergonha das coisas que gosta. Ele provavelmente não lembra que me disse isso, mas eu nunca esqueci. É um conselho meio bobo, meio óbvio, porém me fez pensar sobre todos os gostos que escondia, por medo do que as pessoas iam pensar.

“As pessoas” é um sujeito meio indefinido, assustador, intimidador.  “Mas o que ‘os outros’ vão pensar?” Quem são esses outros, no fim das contas?

Eu tenho essa teoria – desenvolvida durante algumas tardes de ócio, no meu quarto, enquanto encarava o adesivo de cachorrinho da Colcci no vidro – de que “os outros” ou “as pessoas” não passam de um eufemismo para as nossas próprias concepções do que é “o certo”. Confuso? Explico.

A maioria das pessoas tem esse anseio incessante de se encaixar na sociedade e/ou se destacar nela. Por mais paradoxais que esses desejos sejam, o meio para atingi-los é o mesmo: a impressão que passamos para o mundo. E essa impressão tem de ser perfeita, dentro de todos os conformes, para que “as pessoas” nos aceitem como parte de seus grupos ou como líderes deles.

O que não percebemos é que esses padrões de conduta nunca foram ditados por ninguém. Nós que os achamos corretos e os seguimos. A maioria dessas “pessoas” não está nem aí para o que fazemos, nem se importa se estamos nos portando da maneira “correta”. Quem, então, fez esses padrões se não nós mesmos? Quem foi que disse que ver BBB torna a pessoa uma idiota? Gosto não se discute.

 
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Publicado por em agosto 22, 2011 em Marina Cardozo

 

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Uma moldura repulsiva

William Mansque
Estagiário de Jornalismo

A serbian film é doentio. Há diversas situações perturbadoras, principalmente o final. No entanto, não há nada explícito. Ele não choca pelas cenas, mas sim pelas insinuações. O filme é mais comentado pela escatologia — que não é propriamente exposta — do que por aquilo que representa. A serbian film é um retrato de uma subcultura repugnante, mas que, infelizmente, existe.

Todas as cenas repulsivas não são novidade nos porões da internet. Há pessoas que se apetecem com esses fetiches bizarros. Faltava um filme que emoldurasse esse universo sujo. Não para fazer apologia, mas para apontar o dedo. Nisso, Serbian consegue se sobressair.

O filme não é impecável, mas é corajoso por explorar um submundo repugnante. As cenas não incomodam tanto quanto saber que elas representam uma realidade tenebrosa.

 
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Publicado por em agosto 10, 2011 em William Mansque

 

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Filme ruim, gente hipócrita

Guilherme Endler
Estagiário de Jornalismo

A serbian film me parece mais um daqueles filmes que exploram a violência e o grotesco para chamar atenção, já que não têm nenhum detalhe técnico interessante ou um roteiro que se destaque.

Além do mais, não vi nada de tão chocante assim no filme. Pelo menos até a parte que eu vi (dormi, depois de assistir os primeiros 20 minutos). Até ali, o máximo que tinha aparecido era a cena de um parto. Ok, ver um bebê saindo de dentro da mãe não é algo muito agradável de se ver, mas é uma cena presente em vídeos que alguns professores de Biologia passam para alunos de Ensino Médio, por exemplo.

Ouvi falar que, após essa parte do bebê recém-nascido, aparecem cenas muito piores, que envolvem incesto, estupro e necrofilia. Nesse caso, acho que foi bom eu ter dormido. Contudo, na minha opinião, isso não torna correta a medida de proibir a exibição do longa. As pessoas têm o direito de assistir o que quiserem, mesmo que seja um filme com um roteiro ridículo e com cenas bizarras. Tem tanta coisa mais importante pra arrumar no país, e os caras ficam se preocupando com um filme.

 
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Publicado por em agosto 10, 2011 em Guilherme Endler

 

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Autocrítica ou lembrando do real

Paola Oliveira
Estagiária de Jornalismo

Era sábado à tarde e eu estava na parada de ônibus esperando havia meia hora. Como sempre ando com um livro na bolsa, puxei um exemplar de Para sempre teu, Caio F., livro que Paula Dip escreveu sobre o escritor e amigo. O livro era excelente, sempre quando eu encontrava uns minutos em que tivesse que esperar por algo, mergulhava em suas páginas. Resultado: meu ônibus passou e eu tive que esperar mais meia hora pelo próximo.

Esse episódio cansativo e engraçado me fez pensar em duas coisas. Uma delas é que, de tudo que podemos fazer um drama, também podemos rir. A segunda, e mais importante, me fez perceber com que facilidade conseguimos nos desligar do mundo e em como isso às vezes pode ser ruim.

Eu sou uma daquelas pessoas que, com um livro na mão, me transporto para um lugar só meu, além de tudo que está acontecendo à volta. Esse tipo de transporte é mágico, e cada um tem sua maneira, alguns lendo, outros indo ao cinema ou dançando. Não importa como, só atinge esse estado de desligamento quem está fazendo algo pelo qual é realmente apaixonado.

O problema é que temos nos desligado demasiadamente do mundo real.

Vivemos em um tempo em que se criam comunidades digitais sobre tudo: livros, filmes, ódios, filosofias, pessoas, sentimentos, situações e instituições. As pessoas do mundo inteiro hoje têm a oportunidade de se reunir em um espaço virtual sobre um assunto ou gosto em comum. Para escrever esse texto, fui atrás de algumas comunidades do Orkut pra exemplificar meu pensamento. Encontrei uma chamada Todos contra miséria humana, que até o presente momento em que escrevo tinha 5.358 membros. É bom saber que ainda há pessoas que não estão satisfeitas com alguns absurdos que existem no mundo, que querem e lutam por mudanças. Entrando em uma comunidade no Orkut… Outra ainda tem como título Contra a fome no mundo, com 13.101 membros. Será realmente que essas pessoas estão pensando que estão contribuindo com alguma coisa entrando em uma comunidade virtual?

Tenho certeza que uns cem anos atrás nossos antepassados pensavam que, quando tivéssemos capacidade mental para inventar coisas como o computador e a internet, teríamos também capacidade intelectual para usá-las de forma adequada e acabar com boa parte dos problemas da raça humana. Não é o que vem acontecendo.

Enquanto podíamos estar discutindo uma maneira de ajudar quem passa fome, estamos inflando nosso ego e escrevendo bobagens num blog no qual muito provavelmente ninguém está interessado, só nós, narcisistas por natureza. No momento em que estamos postando aquela foto na qual milagrosamente saímos bem (e botando uma legenda do tipo: é nóóóóis!!!), devíamos estar tentando achar um jeito de  melhorar a parca educação desse país de semi-analfabetos. Ao invés de confirmarmos presença em um evento para o qual somos convidados via Facebook, teríamos que criar vergonha e marcar passeatas em frente às câmaras de vereadores e deputados, mostrando que, apesar de as barbáries estarem sendo enfiadas garganta abaixo, nós ainda não as engolimos.

Está na hora de lembrarmos que o mundo não é um bonitinho perfil de rede social e que nem mesmo nós somos aquelas pessoas perfeitas, sorridentes e sem problemas que tentamos demonstrar com algumas fotos e frases prontas; já passou da hora de sairmos do mundo virtual e voltarmos nossos olhos para os problemas coletivos do mundo real, pois veremos que há muitas coisas que não devemos  nem vamos curtir nem um pouco.

 
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Publicado por em agosto 9, 2011 em Paola Oliveira

 

Forçando a barra

Guilherme Endler
Estagiário de Jornalismo

No dia 19 de abril tive o desprazer de assistir à edição diária do Jornal da Globo, aquele que passa quase à meia-noite. Naquela mesma data, Fidel Castro tinha reaparecido em público e feito o anúncio da sua saída do comando do Partido Comunista Cubano. As críticas da Globo à Cuba e ao seu sistema de governo não são novidade, mas a matéria apresentada por William Waack sobre o acontecimento foi uma total falta de profissionalismo.

Waack iniciou o telejornal já falando sobre o assunto. Na matéria, o apresentador afirma que Fidel reconheceu que o sistema socialista é falho e que isso era algo “já sabido pelo resto do mundo”. Note-se que o âncora dá a sua opinião (ou a da empresa) como verdade absoluta. Afirma que o mundo todo já sabia que o socialismo é ruim, como quem diz que o céu é azul. Mas tudo bem, isso é um programa do grupo Marinho, é obvio que vai falar mal de países de esquerda. Até aí, nada de anormal.

Mais adiante, a matéria explica que, a partir de agora, os velhos membros do Birô, que estão no partido desde a Revolução, irão articular as mudanças do país. Waack enfatiza a palavra “velhos”, repetindo-a com ironia e desdém por duas ou três vezes. Fiquei buscando na memória pelo menos três políticos brasileiros que não podem ser considerados “velhos”, mas só me lembrei de Manuela D’ávila. Contudo, nunca vi um âncora de telejornal falando “o velho José Sarney foi reeleito presidente do Senado para dar uma roubadinha por mais dois anos”.

Como disse antes, essas críticas não são novidade. Além disso, Waack adora mostrar seu humor fino por meio de comentários interessantíssimos entre as matérias, ilustrados por seu clássico sorrisinho irônico. Eu só não sabia que ele é consultor de moda também.

No momento em que a imagem de Fidel é mostrada, William Waack premia seus telespectadores com a seguinte frase: “Fidel entrou com esse semblante frágil, vestindo esse casaco que, na minha opinião, mais parece um pijama”.

Essa foi realmente inédita para mim. Nem Boris Casoy, do alto do seu reacionarismo, fez um comentário tão idiota. Qual é o jornalista sério que, no meio de um acontecimento importante, critica a roupa de uma figura histórica como Fidel Castro? Isso é antiprofissional e uma falta de respeito. Quando se trata de criticar Cuba, China, Venezuela, ou qualquer outro país de esquerda, a Globo dá carta branca aos seus funcionários, que chegam ao cúmulo de fazer comentários ridículos como esse, que nada acrescentam aos telespectadores. A empresa faz questão de apontar características ruins desses países, mesmo quando não está falando sobre política.

Quando o Brasil jogou contra a Coréia do Norte na Copa do ano passado, ouvi Galvão Bueno lembrar por diversas vezes que os norte-coreanos são reprimidos pelo seu governo e que não têm liberdade nenhuma. Em compensação, nos jogos contra a França, nunca ouvi nenhum comentário sobre os atos homofóbicos do seu presidente, por exemplo. Aliás, no dia em que William Waack criticar a roupa do Sarkozy durante o Jornal da Globo, prometo que largo o curso de Jornalismo e vou fazer malabarismo na sinaleira.

Não estou dizendo que a Globo, ou qualquer outra emissora, deva concordar com os ideais cubanos, norte-coreanos ou de qualquer outro país. Só acho que mostrar somente os pontos negativos de determinado governo é uma forma de condicionar o público. Quando algum veículo de grande expressão mostrar que a taxa de analfabetismo de Cuba é próxima de zero, ou pelo menos comentar a qualidade excepcional da sua medicina, já me darei por satisfeito. Enquanto isso, prefiro que William Waack guarde suas opiniões sobre moda para si mesmo.

 
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Publicado por em abril 27, 2011 em Guilherme Endler

 

O que é frágil

Marina Cardozo
Estagiária de Jornalismo

A mulher é o sexo frágil. É mais sensível, faz escândalo por causa de barata e até unha quebrada. Já ouvi e li esse tipo de coisa por diversas vezes e me questionei sobre outras tantas. Não sei se concordo inteiramente.

Mulheres convivem com as “facadas” das cólicas menstruais, que atacam sem o menor aviso todos os meses. E, às vezes, não há remédio que resolva. As mais corajosas expelem de si mesmas uma pessoinha. E isso realmente deve doer.

Quanto à força, mulheres têm mais facilidade em adquirir massa muscular na parte inferior do corpo e menos na superior. Por isso há aquelas que andam por aí exibindo as pernas torneadas em calças justíssimas e braços meio cheinhos, mas não muito musculosos. Pelo mesmo motivo, mulheres normalmente têm dificuldades em levantar algo pesado ou abrir um vidro de pepino em conserva.

E aí que os homens entram para salvar o dia. Eles têm mais força nos braços e têm mais facilidade em adquirir músculos nessa parte. Por isso que vemos muitos caras por aí mostrando os braços super malhados. Homens também têm mais resistência.

Questionar qual é o sexo mais frágil, porém, pode ter muitas respostas. Depende do ponto de vista de que se analisa tudo. Fisicamente, homens não convivem com tanta dor, por isso o que é só uma torçãozinha para elas pode ser uma grande dor para eles. Da mesma maneira, os cinco quilômetros que ele corre como se fossem dois, ela quase morre para percorrer, achando que foram oito.

Todo mundo tem uma fragilidade. Tenho uma amiga que chora ao ver filmes e clipes relacionados à guerra. Tenho um amigo que – quase – chora vendo The Big C. Essa coisa de sexo frágil é apenas uma idéia que ficou na cabeça das pessoas e que continua sendo passada adiante sem necessidade. Tudo depende do ponto de vista e do que cada pessoa considera fragilidade. Eu posso afirmar que quebrar uma unha é muito pior do que os homens imaginam.

 
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Publicado por em abril 19, 2011 em Marina Cardozo

 

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Viver é uma bobagem

Lílian Stein
Estagiária de Jornalismo

Essa não é uma carta suicida, evidente. Tampouco é um texto com o objetivo de fazer uma reflexão dramática a respeito da rotina, muito menos de despejar uma série de reclamações que elencam um sem-fim de motivos para que alguém salte na frente de um caminhão. De qualquer forma, é necessário insistir: viver é uma grande bobagem.

Inúmeras teorias tentam explicar o que, de fato, fez um bando de gente diferente parar em uma imensidão de lugares diferentes, em situações diferentes, com pensamentos diferentes, tentando planejar qualquer coisa que seja diferente. O fato é que a probabilidade de que alguma dessas teorias esteja correta é extremamente pequena – para não definir como nula. Viver não passa de uma banalidade.

O grande problema é encontrar uma explicação que dê sentido àquela extensa lista de compromissos a serem honrados, prazos a serem cumpridos e páginas da agenda cujas linhas estão repletas de lembretes. Não se esqueça de, enquanto procura essa explicação, devolver os livros à biblioteca, marcar uma consulta no dentista e terminar o fichamento daquele livro da aula de quarta-feira.

Ocorre que não há como fugir de uma longa, cruel e absolutamente absurda fila de tarefas cronometradas. Em meio a isso, talvez reste um curto espaço de tempo, e é nessa hora que até o mais apático dos seres humanos é capaz de enlouquecer. É o momento em que surgem inúmeros questionamentos a respeito do real motivo de se contorcer entre família, dois estágios, uma faculdade e mais um punhado de gente que insistentemente clama por atenção.

“Eu poderia estar na praia, vendendo sanduíche natural e tomando banho de mar a cada fim de dia”. Alguma coisa, no entanto, faz a grande maioria das pessoas desconsiderar a hipótese de uma vida praiana porque acredita ter ambições que vão muito além de um quiosque e uma rede à beira-mar. Tudo culpa do maldito sistema capitalista, acusariam uns. Outros, ao certo, diriam que é absolutamente possível largar tudo e ir para uma praia deserta nas Alagoas, e que apenas não o faz quem não quer ariscar. Sinceramente, não importa.

Viver é uma banalidade justamente pelo fato de que se passa a vida toda procurando um sentido para viver. Parece ser preciso saber o motivo dessa busca constante por um emprego melhor, uma aparência melhor, um amor melhor, uma rotina melhor. As pessoas estudam, trabalham, se relacionam e, em um dia qualquer, absolutamente sem algum sentido aparente, a vida acaba sem que fosse possível compreender o porquê de tanto esforço durante tantos anos. Simplesmente não há sentido nessa tal de vida.

Viver, de fato, é uma bobagem. Não se sabe em que causas e circunstâncias fomos escolhidos para estar aqui – e nada disso tem a ver com qualquer tipo de crença, coincidência ou seja lá o que for.  Viver é uma grande bobagem, mas talvez seja melhor não encontrar tempo para pensar nisso. É provável que viver, e apenas viver, seja a melhor opção.

 
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Publicado por em abril 15, 2011 em Lílian Stein

 

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É necessário refletir

Ana Paula Figueiredo
Estagiária de Jornalismo

Na semana passada o Brasil ficou chocado com a tragédia na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro. Também fiquei horrorizada, pois crimes desse tipo, em que um maluco entra numa escola vitimando vários estudantes, parecia coisa quase exclusiva da sociedade norte-americana. Não lembro de ter ouvido falar nada desse tipo no Brasil.

Os tristes acontecimentos desencadearam uma série de opiniões e temas a serem abordados. Aqui mesmo neste texto, poderia falar sobre o possível bullying do atirador, sobre a sua possível religião. Mas vou me deter a outros dois assuntos, que, creio, requerem um pouco mais de atenção: a cobertura da mídia e as reações das pessoas diante desse crime.

Naturalmente, um crime com tamanha magnitude não pode passar despercebido pela mídia. O fato certamente foi noticiado em todos os veículos, de diferentes gêneros.

No entanto, como era de se esperar, a imprensa brasileira explorou ao máximo a tragédia. Na TV, Sonia Abraão e Ana Maria Braga mostraram exaustivamente imagens de mães desesperadas e crianças chorando. Desses dois programas, não se esperava algo muito diferente, mas as manchetes de alguns jornais foram de tamanho mau gosto que senti vergonha por quem as escreveu.

No dia seguinte à tragédia, o jornal A tribuna, de Santos, trazia a seguinte manchete na capa: “Na lista de chamada 12 alunos não dirão presente”. Outros jornais estampavam a foto de Wellington Menezes de Oliveira, caído no chão, todo ensanguentado. Concordo que às vezes a clássica frase “uma imagem vale mais do que mil palavras” seja verdadeira, mas, nesses casos, é totalmente desnecessária.

O jornal Extra, do Rio de Janeiro, estampava a capa com fotografias de algumas vítimas, com o texto “Vira pra parede que eu vou te matar”, e a página toda manchada de vermelho, como se sangue escorresse pelo papel. No jornal Meia hora, também do Rio, a manchete dizia: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”.

Algumas pessoas afirmam que a mídia deveria ter dado somente a notícia do fato ocorrido, sem mais detalhes. Discordo. A mídia deve sim mostrar os desdobramentos do fato. Eu quero saber, e a maioria do público e da sociedade também, mas não por uma questão mórbida, e sim para conhecer a verdade dos fatos, ou, dependendo do caso, se vai haver justiça. Informar é um dos papéis do jornalismo, claro que de uma maneira correta, e sem apelações.

O outro ponto que me despertou atenção foi o pensamento de algumas pessoas sobre os fatos. Ouvi pessoas dizendo que a cobertura foi exagerada porque muitas outras crianças morrem diariamente. Coisas desse tipo também foram ditas na época da morte da menina Isabela Nardoni. Dizia-se que o crime estava na mídia somente porque os pais eram de classe mais abastada. Realmente, enquanto se divulgava incessantemente todos os detalhes do caso Isabela, muitas outras crianças foram assassinadas, pelos mais variados motivos. E muitos desses fatos não chegaram à mídia porque se tratava de pessoas menos favorecidas financeiramente.

Agora, mais uma vez ouvi pessoas comentando que a mídia está dando muito espaço para o ocorrido e que todos os dias muitas outras crianças morrem, vítimas até mesmo da polícia. Ok. Pode ser verdade. Mas o fato de isso não chegar até a imprensa, não quer dizer que eu tenha que ficar indiferente perante os tristes fatos.

Não fiquei chocada apenas por ter sido no país em que vivo, nem somente pelo número de crianças e adolescentes que perderam suas vidas, mas pela crueldade, pela maneira como ocorreu. Poderia ter sido uma criança, e o meu sentimento seria o mesmo. Dias após, um homem adentrou um shopping na Holanda e matou seis pessoas. Também fiquei triste.

Assusta-me e preocupa-me que a insensibilidade esteja tomando conta de muita gente. Parece-me que a vida está banalizada para alguns. São vidas que estão sendo desperdiçadas, e isso não pode passar sem um mínimo de tristeza e indignação. Onde fica a empatia para com o próximo?

 
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Publicado por em abril 13, 2011 em Ana Paula Figueiredo

 

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Para sempre

Guilherme Endler
Estagiário de Jornalismo

Nesse final de semana, depois de um bom tempo, revi alguns amigos da época de colégio. Com as mudanças na rotina de cada um, esses reencontros têm se tornado cada vez mais esporádicos, infelizmente. Mas, cada vez que eles acontecem, fica mais claro para mim que existem coisas que o passar dos anos nunca mudará.

Meus ex-colegas foram importantes para mim. Confesso que não era o maior fã do meu colégio, e muito menos de estudar. Nunca fui um aluno aplicado, e acordar cedo sempre era um suplício para mim. Por toda a minha vida escolar, a única coisa que me dava alguma motivação para ir para a aula eram os meus amigos.

Durante todo o ano letivo dizia a mim mesmo que iria mudar de colégio, ir para algum maior, mais organizado e sem tantas regras chatas. Mas sempre acabava continuando lá, para poder ficar junto com os meus amigos. Apesar de toda a minha antiga repulsa ao sistema educacional, hoje sinto muita saudade daquele tempo.

Sinto falta de ficar no fundão da sala falando bobagem, de fugir do coordenador do pátio para matar aula e de ficar de “arreganho” com as gurias no meio da aula de Física. Sem contar as minhas inúmeras técnicas de cola, que de uma forma ou de outra sempre davam certo. Sinto falta até mesmo dos caras que eu não gostava da nossa turma rival, das rixas no futebol e dos xingamentos e empurrões sempre presentes nas partidas.

Para mim, é difícil lembrar de tudo isso e me dar conta de que esse período não voltará. Apesar de adorar meu curso e gostar do ambiente da universidade, às vezes fico triste quando penso que já fiz 20 anos e que não sou mais aquele gurizão de 16 ou 17. Quando vejo meus velhos amigos, pareço voltar no tempo. Posso ficar muitos meses sem vê-los ou sequer manter contato pela internet, mas quando o faço parece que ainda estamos no colégio. As conversas, brincadeiras e apelidos continuam os mesmos. Nos tratamos com a mesma naturalidade da época em que convivíamos diariamente, mesmo que agora essa convivência aconteça de forma ocasional.

Sei que será sempre assim. Foi no colégio que fiz a maior parte dos meus melhores amigos. Por mais que o tempo passe, no fundo sempre seremos aqueles adolescentes que bagunçavam na sala de aula. Tenho certeza de que poderei contar com eles para qualquer coisa, mesmo daqui a vários anos. Embora o meu tempo de colégio tenha se resumido a lembranças e saudades, parte dele será eterno. Ficará sempre vivo nas amizades que cultivei naqueles anos.

 
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Publicado por em abril 11, 2011 em Guilherme Endler

 

Façamos alguma coisa

Marcelo Grisa
Estagiário de Jornalismo

Nesta semana os ânimos se acirraram em torno de temas relacionados ao racismo e à homofobia, graças à edição do programa Custe o Que Custar – o popular CQC – da última segunda-feira, na Rede Bandeirantes. No quadro O povo quer saber, as perguntas foram feitas ao deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).

Como a maioria já sabe, as respostas foram ofensivas. O parlamentar disse que nenhum filho dele seria gay, porque ele é um pai presente – como se isso representasse um afastamento do “risco”, nas suas próprias palavras.

Ao ouvir a pergunta da cantora Preta Gil, questionando o que Bolsonaro faria se o filho dele se apaixonasse por uma negra, respondeu de pronto: “Não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja, não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados.” Ontem, o deputado disse que não havia compreendido a questão levantada, achando que se tratava de algo sobre homossexualidade.

Seguiu-se a isso uma quantidade massiva de comentários nas redes sociais. Alguns até se posicionando a favor do parlamentar. A maioria, contudo, é contra. Os xingamentos vão de “antiético” a “facista”. Apenas até o fechamento deste texto, quase 30 mil pessoas estavam participando do evento Protesto contra Bolsonaro no Facebook – evento este renovado mais de uma vez nesta semana.

Eu sou a favor da cassação pela falta de decoro, com toda a sinceridade. Mas também acho que não adianta ficar “xingando muito no Twitter”. Se queremos algo sendo feito, vamos às ruas. A última vez que o povo brasileiro fez alguma diferença na rua foi pedindo o impeachment de Collor em 1992. Eu ainda era uma pequena criança na época: apenas quatro anos de idade. Olhei a imagem na televisão, sem entender nada. Mas me lembro: nunca tinha visto tanta gente junta.

Não sei se a falta de maiores mobilizações da sociedade civil – não apenas de um segmento ou outro, mas do nosso coletivo, que tem força maior – é culpa do nosso próprio individualismo, da mídia não colaborar tanto e corroborar com a competição entre os indivíduos, da combinação de falta de segurança e redes sociais nos deixando cada vez mais em casa… Mas para mim uma coisa é certa. Precisamos fazer alguma coisa para reverter.

 
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Publicado por em março 31, 2011 em Marcelo Grisa

 

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